Eu quero deixar com você uma simples e singela verdade.
Não há caminho para a vida exceto pela morte.
Não há caminho para o poder exceto por meio da fraqueza e quebrantamento.
Não há caminho para a plenitude exceto por meio do esvaziar.
Não há caminho para o pleno frutificar exceto por meio do podar.
Não há caminho para a exaltação exceto por meio da humilhação.
Não há caminho para o trono exceto se sua vida for lançada por terra.
Não há caminho para conhecer a glória de Deus em plenitude exceto por meio da comunhão de seus sofrimentos.
A chave verdadeira para a vida transbordante, para a vida mais abundante, a vida de ressurreição, não é quanto eu vivo, mas quanto eu morro.
O problema não é como viver a vida cristã; o problema é como morrer.
Se você tiver o segredo de morrer com Cristo, você não terá de aborrecer a mente sobre como viver a vida cristã.
Lance Lambert

A cruz é uma coisa radical

A cruz de Cristo é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. Depois que Cristo ressurgiu dos mortos, os apóstolos saíram a pregar sua mensagem, e o que pregaram foi a cruz. E por onde quer que fossem pelo mundo, levavam a cruz e o mesmo poder revolucionário ia com eles. A mensagem radical da cruz transformou Saulo de Tarso e o mudou de perseguidor de cristãos em um terno servo de Jesus e um apóstolo da fé. Seu poder mudou homens maus em bons. Sacudiu a longa escravidão do paganismo e alterou completamente a perspectiva moral e mental do mundo.

Fez tudo isso, e continuou a fazê-lo enquanto se lhe permitiu permanecer como fora originalmente, uma cruz. Seu poder se foi quando foi mudada de uma coisa de morte para uma coisa de beleza. Quando os homens fizeram dela um símbolo, penduraram nos seus pescoços como ornamento ou fizeram o seu contorno diante dos seus rostos como um sinal mágico para protegê-los do mal, então ela veio a ser, na melhor de sua expressão, um fraco emblema, e na pior, um inegável feitiço. Como tal, é hoje reverenciada por milhões que não sabem absolutamente nada do seu poder.

A cruz atinge os seus fins destruindo o modelo estabelecido, o da vítima, e criando um outro modelo. Vence derrotando o seu oponente e olhe impondo a sua vontade. Domina sempre. Nunca se compromete, nunca faz barganhas, nunca faz concessão, nunca cede um ponto por amor da paz. Não se preocupa com a paz; preocupa-se em dar fim à sua oposição tão depressa quanto possível.

Com perfeito conhecimento disso tudo, Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” Assim a cruz não só põe fim à vida de Jesus; termina também a primeira vida, a velha vida, de cada um dos seus seguidores verdadeiros. Ela destrói o velho modelo, o modelo de Adão, na vida do cristão, e lhe dá fim. Então o Deus que levantou a Cristo dos mortos levanta o cristão, e uma nova vida começa.

Isto, e nada menos que isto, é o cristianismo verdadeiro, embora não possamos senão reconhecer a aguda divergência que há entre esta concepção e a sustentada pelo tipo comum de cristãos hoje. Mas não ousamos qualificar nossa posição. A cruz ergue-se muito acima das opiniões dos homens e a essa cruz todas as opiniões terão que vir afinal para julgamento. Uma liderança artificial e mundana gostaria de modificar a cruz para agradar os homens maníacos por entretenimento, que querem divertir-se até mesmo com coisas santas; fazê-lo, porém, é cortejar a tragédia espiritual e arriscar-se à ira do Cordeiro feito Leão.

Temos que fazer alguma coisa quanto à cruz, e só podemos fazer uma destas coisas: fugir ou morrer nela. E se formos tão temerários que fujamos, com esse ato estaremos pondo fora a fé vivida por cristãos no passado e faremos do cristianismo uma coisa diferente do que é. Neste caso, teremos deixado somente o vazio linguajar da salvação; o poder se irá juntamente com a nossa partida para longe da verdadeira cruz.

Se somos sábios, faremos o que Jesus fez: suportaremos a cruz e desprezaremos a sua vergonha pela alegria que está posta diante de nós. Fazer isto é submeter todo o esquema da nossa vida, para ser destruído e reconstruído do poder de uma vida que não se acabará mais. E veremos que é mais que poesia, mais que doce hinologia e elevado sentimento. A cruz cortará fundo as nossas vidas onde fere mais, não nos poupando nem a nós mesmos nem as nossas reputações cultivadas. Ela nos derrotará e porá fim às nossas vidas egoístas. Só então poderemos elevar-nos em plenitude de vida para estabelecer um padrão de vida totalmente novo, livre e cheio de boas obras.

A modificada atitude para com a cruz que vemos na ortodoxia moderna prova, não que Deus mudou, nem que Cristo afrouxou a sua exigência de que levemos a cruz; em vez disto, significa que o cristianismo corrente desviou-se dos padrões do novo testamento. Para tão longe nos desviamos que nada menos que uma nova reforma restabelecerá a cruz em seu lugar certo na teologia e na vida da Igreja.
                                                                                       A. W. TOZER

Gal. 2:20 - Watchman Nee

video
                                                           
Livros Recomendados

                


    Barro em Suas Mãos

    DOWNLOAD

                                                  

O Crente Carnal e o Crente Espiritual


 
 
 O Homem e a Paz



 
     
      O Cativeiro Acabou

      DOWNLOAD




Tudo Para Todos
 



Seminário do Novo Nascimento



Identificação

DOWNLOAD

O Primeiro Pecado do Homem

Gn 2:9 “E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. (…) Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.9,16,17).
“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (3.1-8).

Neste estudo, gostaríamos de ver como foi que o primeiro homem pecou, e recebê-lo como admoestação para nós hoje. Pois como foi o primeiro pecado, assim serão todos os pecados depois dele. O pecado que Adão cometeu é o mesmo que todos nós cometemos. De modo que, conhecendo o primeiro pecado, podemos compreender todos os pecados do mundo. Pois, segundo a perspectiva bíblica, o pecado possui um único princípio.
Em todo pecado podemos ver o “ego” em operação. Embora hoje em dia as pessoas classifiquem os pecados em um sem-número de categorias, entretanto, falando por indução, há somente um pecado básico: todos os pensamentos e ações que constituem pecado estão relacionados com o “ego”. Em outras palavras, embora o número de pecados no mundo seja deveras astronômico, o princípio subjacente a cada pecado é somente um – tudo o que satisfaz o ego. Todos os pecados são cometidos por causa do ego. Se faltar o ego, não haverá pecado.
Examinemos este ponto mais atentamente.
Que é orgulho? Não é uma exaltação do ego?
Que é ciúme? Não é o temor de ser suplantado?
Que é a emulação? Nada mais é que a luta par ser melhor do que os outros.
Que é a raiva? É a reação contra a perda sofrida pelo ego.
Que é o adultério? É seguir as paixões e lascívias do ego.
Não é a covardia o cuidado que se dá à fraqueza do ego?
Ora, é impossível mencionar todos os pecados, mas se examinássemos a todos, um por um, descobriríamos que o princípio de todos eles é o mesmo: algo que de alguma maneira se relaciona com o ego. Onde quer que se encontre pecado, aí também estará o ego. E onde quer que o ego for ativo, ali também haverá pecado à vista de Deus.
Por outro lado, ao examinarmos o fruto do Espírito Santo – que representa o testemunho cristão – facilmente veremos o oposto: nada mais é do que atos desprendidos do ego.
Que é amor? Amor é apreciar os outros sem pensar no ego.
Que é alegria? É olhar para Deus a despeito do ego.
Paciência é desprezar nossa própria dificuldade.
Paz é deixar a perda de lado.
Gentileza é não prestar atenção a nosso próprios direitos.
Humildade é esquecer-se dos méritos próprios.
Temperança é o ser sob controle.
Fidelidade é domínio-próprio.
Ao examinarmos todas as virtudes cristãs, discerniremos que a não ser pela libertação do ego ou do seu esquecimento, o crente não possui outra virtude. O fruto do Espírito Santo é determinado por um único princípio: a perda total do ego.
Mencionei somente algumas virtudes e alguns pecados; mas acho que são suficientes para provar que pecado é seguir o ego, ao passo que virtude é esquecer-se do ego.
Se compreendermos estes dois princípios, poderemos diariamente observar todos os vários pecados e julgar se cada um deles relaciona-se com o ego ou não. Mas permita-me dizer-lhe claramente que à parte do “desprendimento” humano não há virtude, e à parte do seu “egoísmo” não há pecado. O ego do homem é a raiz de todos os males.
Nas passagens que lemos no início deste capítulo, vimos que existiam duas árvores no jardim do Éden, e que Adão, ao comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, trouxe o pecado ao mundo. Examinemos mais atentamente as duas árvores mencionadas. Usarei duas palavras para representar o significado de ambas as árvores. O significado da árvore do conhecimento do bem e do mal é independência, e o da árvore da vida é confiança.
Examinaremos primeiro a árvore do conhecimento do bem e do mal. De saída devemos compreender que o comer do fruto desta árvore em si não é o grande pecado. Aqui, Adão não cometeu adultério, assassínio, nem muitos outros pecados imundos. Simplesmente comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ora, embora o que Adão cometeu não fosse algum pecado horrível, não obstante, o comer do fruto desta árvore fez com que não somente ele caísse, mas também sua descendência; desta forma enchendo o mundo de pecados. Embora o pecado cometido por ele não fosse horrível, seu ato deu ensejo a toda sorte de pecados. Segundo nossa lógica, se o primeiro pecado do homem for o “gerador” de todo o pecado do mundo, esse primeiro pecado deve ser o mais horrível de todos. Entretanto, o que vemos aqui é meramente um homem comendo fruto demais. Em certo sentido, portanto, é de aparência inofensiva.
Por que isto é assim? Deus vê o pecado de Adão como espécime típico de incontáveis pecados a serem cometidos por todos os homens depois dele. Deus deseja que compreendamos que não importa qual seja a natureza do pecado de Adão, essa também será a natureza dos múltiplos e variados pecados que o mundo cometerá depois de Adão. Externamente o pecado pode ser polido ou rude, mas sua natureza e princípio permanecem sempre os mesmos. O pecado de Adão não é mais que seguir sua própria vontade. Uma vez que Deus lhe havia proibido comer desse fruto particular, ele devia completamente ter-se desfeito de sua própria inclinação e obedecido a Deus. Mas ele desobedeceu a Deus e comeu o fruto, segundo sua própria vontade. E assim ele pecou. Daí se depreende que o pecado de Adão nada mais foi que agir fora de Deus e segundo sua própria vontade. Embora os pecados cometidos pela descendência de Adão diferissem grandemente do seu em aparência (pois não há outra pessoa que possa cometer o mesmo pecado que Adão cometeu), porém, em princípio, também agiram segundo sua própria vontade; logo, seus pecados têm todos a mesma natureza.
É pecado conhecer o bem e o mal?
Não é virtude conhecer o bem e o mal?
Deus conhece o bem e o mal (Gn 3:5,22).
É pecado ser igual a Deus? Por que , pois, o ato de Adão torna-se a própria raiz de todo o pecado e miséria humanos? Por que motivo?
Embora tal ação aparentemente seja boa, Adão agiu sem o mandamento ou promessa de Deus. E ao tentar conseguir esse conhecimento fora de Deus, segundo seu próprio ego, Adão pecou.
Agora percebemos o significado da palavra “independência”.
Todas as AÇÕES independentes de Deus são pecado.
Adão não tinha confiado em Deus; não tinha tomado a decisão de obedecer a Deus; havia agido independentemente de Deus; e a fim de conseguir a independência contra Deus. E é por isso que o Senhor declarou ser isto pecado.
Portanto, compreenda isto, não é preciso cometer muitos e terríveis pecados a fim de se considerar pecado. Para Deus, todas as ações realizadas fora dele são pecado. “Ser igual a Deus”, por exemplo, é excelente desejo; mas tentar fazê-lo sem ouvir o mandamento de Deus e sem esperar pelo tempo de Deus é pecaminoso à Sua vista. Quão freqüentemente julgamos ser as coisa más pecados e as boas, justiça. Deus, entretanto, vê as coisas de maneira diferente. Em vez de diferenciar o bem e o mal pela aparência, ele olha para o modo com que tal ação é feita. Não importa quão excelente tal coisa possa parecer ao mundo, tudo o que for feito pelo crente sem procurar a vontade Deus, sem esperar por seu tempo, ou sem depender de seu poder (mas feito segundo nossa própria vontade, com pressa, ou por nossa própria habilidade) – tal ação é pecado à vista de Deus.
O Senhor não olha para o bem ou para o mal da coisa em si. Antes, olha para sua fonte. Ele anota mediante que poder tal coisa é feita. À parte de seu próprio poder, Deus não se interessa por nenhum outro. Ainda que fosse possível que o crente fizesse algo melhor que a vontade de Deus, ele ainda condenaria a ação e consideraria o crente ter pecado.
É verdade que todas as suas obras e aspirações são segundo a vontade de Deus? Ou são elas simplesmente sua própria decisão? Suas obras têm origem em Deus? Ou são elas realizados segundo seu bom prazer? Todas as nossas ações independentes, não importa quão excelentes ou virtuosas pareçam ser, não são aceitáveis a Deus. Tudo o que é feito sem saber claramente a vontade de Deus, é pecado aos olhos Dele. Tudo o que é realizado sem depender Dele também é pecado.
Os cristãos de hoje são muito capazes de fazer coisas, são muito ativos e fazem coisas boas em excesso! Entretanto, Deus não olha para a quantidade de boas obras que a pessoa realiza; interessa-se somente pelo quanto é feito por amor ao Seu mandamento. Ele não indaga o quanto a pessoa trabalhou para ele; simplesmente pergunta o quanto depende Dele. O prazer de Deus não se encontra na muita atividade , e sim, na dependência que a pessoa tem Dele. Não importa quão zelosamente você trabalhe para o Senhor, sua obra será em vão se não for feita por Ele em você. Devemos fazer esta pergunta a nós mesmos: é a obra que faço realizada pelo Senhor em mim, ou sou eu mesmo quem a efetua?
Todas as OBRAS independentes de Deus são pecado.
Por favor, tenha em conta que podemos pecar até mesmo enquanto salvamos almas. Se não dependermos de Deus, mas confiarmos em nosso próprio entendimento e experiência do evangelho, à vista de Deus estaremos pecando, e não salvando almas, ainda que gastemos tempo e energia persuadindo as pessoas a crerem no Senhor!
Se em vez de perceber nossa total fraqueza e depender inteiramente do poder do Senhor, tentarmos edificar os santos com a força de nosso conhecimento bíblico e da excelência de nossa sabedoria, aos olhos de Deus estaremos pecando enquanto pregamos! Por melhores que todos os atos de amor e compaixão possam parecer ao público, – se forem realizado por nosso impulso ou força – aos olhos de Deus são pecaminosos. O Senhor não pergunta se fizemos um bom trabalho; somente examina se confiamos nele. Tudo o que é feito por nossa própria vontade será queimado no dia do juízo de Cristo, mas o que é realizado em Deus permanecerá.
O significado do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal não é outro senão o estar ativo fora de Deus, procurar o que é bom segundo o entendimento da própria pessoa, estar com pressa e ser incapaz de esperar a fim de obter o conhecimento que Deus ainda não deu; não confiar no Senhor, mas procurar avançar pelo nosso próprio caminho.
Tudo isso pode ser resumido numa frase:
Independência de Deus
Deus não tem prazer no homem que se aparta Dele e age independentemente. Pois Ele deseja que o homem confie Nele.
O propósito do Senhor ao salvar o homem e também ao criá-lo é que o homem cofie Nele. Eis o significado da árvore da vida: confiança. “De toda árvore do jardim comerás livremente”, disse Deus a Adão; “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás”. Dentre todas as árvores cujos frutos podiam ser comidos, Deus menciona especialmente a árvore da vida em forte contraste com a árvore do conhecimento do bem e do mal. “E também a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal”. Ao notarmos a menção particular de Deus à árvore da vida, devemos reconhecer que de todas as árvores comestíveis, esta é a mais importante. É desta árvore que Adão devia ter comido primeiro. Por que é isto assim?
A árvore da vida representa a vida de Deus, a vida não criada de Deus. Adão é um ser criado, portanto, não possui esta vida não criada. Embora a esta altura ele ainda esteja sem pecado, não obstante, é apenas natural, uma vez que não recebeu a vida santa de Deus. O propósito de Deus é que Adão escolha o fruto da árvore da vida por sua própria vontade para que se relacione com Deus pela vida divina. Assim, Adão, de simples criatura de Deus, chegaria ao novo nascimento. O que Deus requer de Adão é que negue sua vida natural e se una a Ele pela vida divina, destarte vivendo diariamente pela vida de Deus. Este é o significado da árvore da vida. O Senhor queria que Adão vivesse por essa vida que não era dele originariamente.
Logo, temos aqui o sentimento distinto da independência, confiança. Pois, quando o ser criado vive por sua vida natural, não precisa depender de Deus. Esta vida criada é autônoma e autopreservadora. Mas, para que o ser criado via pela vida do Criador, ele tem que ser totalmente dependente, pois a vida que levaria então não seria sua, mas de Deus. Ele não poderia ser independente de Deus, mas teria que manter constante comunhão com Ele e confiar completamente Nele. Essa é a vida que Adão não tem em si mesmo, e logo, deve confiar em Deus a fim de recebê-la. Além disso, essa vida – se recebida por Adão – é a que ele não poderia levar por seu próprio esforço; por isso teria que depender de Deus continuamente a fim de conservá-la. Assim, a condição para conservá-la tornar-se-ia a mesma condição para recebê-la. Adão teria de depender dia a dia, a fim de viver esta vida santa de uma maneira prática.
Tudo isto que temos dito com respeito a Adão, Deus também o exige de nós. Na época de Adão, a vida de Deus e a vida do homem estavam presentes no jardim. Hoje, a vida divina e a vida humana estão presentes em nós. Nós os que cremos no Senhor e somos salvos, nascemos de novo – isto é, nascemos de Deus; e assim temos uma vida de relacionamento com Deus. A vida da criatura está em nós, mas também está a vida do Criador. O problema atual então é se vivemos ou não pela vida divina – se nossa vida depende ou não totalmente de Deus. Assim como nossa carne não pode viver se estiver separada de sua vida natural, da mesma forma nossa vida espiritual não pode prosseguir se estiver separada da vida do Criador.
Deus não deseja que tenhamos nenhuma atividade fora Dele. Deseja que morramos para nós mesmos e sejamos dependentes Dele como se não pudéssemos nos mover sem Ele. Ele não gosta que iniciemos nada sem sua ordem. Ele se agrada de que realmente percebamos nossa inutilidade e confiemos Nele de todo o coração. Devemos resistir a todas as ações independentes de Deus. As obras que são feitas sem oração e espera, sem procurar conhecer claramente a vontade divina, sem confiar inteiramente em Deus, e sem examinar nossa consciência, a fim de determinar se o ego ou a impureza estão misturados: tudo isto provém de nós mesmos e é pecado à vista de Deus.
O Senhor não pergunta quão boa é nossa obra; Ele somente pergunta quem fez a obra. Ele não será movido pelo pequeno bem que você e eu façamos. Ele não está satisfeito com nada a não ser a SUA obra. Você pode estar ativamente engajado na obra Dele e trabalhar muito. Você pode até mesmo sofrer por causa de Cristo e de Sua igreja; mas se não tiver certeza de que é Deus que deseja que você realize a obra, ou, se não compreender completamente sua própria ignorância e incompetência, e com muito temor e tremor se lançar sobre o Senhor, então, como Adão, você estará pecando à vista de Deus. Oh! Cesse sua própria obra! Não pense que pode fazer tudo o que seja bom. Você pode labutar e se esforçar segundo seu próprio prazer, mas terá pouca ou nenhuma utilidade espiritual.
Todos nós sabemos que o incrédulo, não importa quão boa seja sua conduta, não pode ser salvo por ela. Não conhecemos nós tantos não-crentes cuja conduta é recomendável? São amáveis, gentis, humildes, pacientes; muitas vezes ultrapassam a média dos cristão em virtude. Por que, apesar da conduta invejável, ainda não são salvos? Porque todo este bem provém de sua vida natural, logo, não podem obter a aprovação de Deus. Deus somente se agrada do que pertence a Ele; do que procede Dele. Consequentemente, incrédulo algum pode agradar a Deus com seus próprios feitos.
O mesmo se aplica ao crente. Pensamos poder agradar ao Senhor com nossas obras boas e zelosas? Precisamos compreender que, a não ser pela vida que Deus nos deu, não existe a mínima diferença entre o nosso ego e o ego dos incrédulos. Os egos são absolutamente os mesmos. A vida natural do pecador e a vida natural do santo não diferem uma da outra. Se as boas ações realizadas pelos incrédulos mediante esta vida natural são rejeitados por Deus, também o será o bem praticado mediante a vida natural pelos crentes.
É triste que esqueçamos tão prontamente a lição que antes tínhamos aprendido! Quando cremos no Senhor Jesus, Deus convenceu-nos por Seu Espírito Santo de que nossa justiça, a seus olhos, para nada servia. Depois de sermos salvos, entretanto, de alguma forma, voltamos a imaginar que agora nossa própria justiça é útil e agradável a Deus. Devíamos saber que pelo fato de sermos salvos e nascidos de novo nossa velha vida não melhorou nem mudou em nada. A não ser pela vida nova recém obtida, nosso antigo ego permanece o mesmo.
O princípio que aprendemos na regeneração devia ser mantido continuamente. Uma vez que nós, quando incrédulos, não fomos salvos por nossas obras independentes, da mesma forma, nós os crentes, não ganharemos a aprovação de Deus por nossas ações independentes. Tudo o que é feito fora da dependência de Deus é desagradável a Ele. Quer proceda do pecador, quer do santo, a ação independente é rejeitada por Deus.
Você pode se gloria de quanto, como crente, tem feito; o quanto tem trabalhado, e até mesmo quanta benção e fruto tem experimentado; ainda assim, aos olhos de Deus estas não passam de obras mortas e sem utilidade alguma, pois todas elas são realizadas por você mesmo, e não pela operação divina em você.
Quão difícil é depender de Deus! Quão difícil é para os sábios confiarem! Quão árduo é para os talentosos confiar em Deus! Muitas vezes tornamo-nos ativos sem esperar que Deus nos dê força especial. É-nos tremendamente difícil negar o nosso talento, tornar-nos totalmente inúteis perante Deus e não depender de nossa capacidade, mas totalmente do Senhor. O Senhor deseja que neguemos a nós mesmos e a nosso poder e que reconheçamos a nossa fraqueza e a inutilidade de nossas palavras e ações. A não ser que primeiro chegue o suprimento de Deus, não podemos dizer palavra alguma nem realizar nada. É assim que Ele deseja que dependamos Dele, pois o que temos em nós mesmos sem dúvida nos afastará de Deus. Nosso talento, nossa sabedoria, nosso poder e nosso conhecimento, tudo tenderá a fortalecer nossa autoconfiança excluindo nossa confiança Nele. A menos que propositada e persistentemente neguemos nossa capacidade, jamais dependeremos de Deus.
Quando pequena, a criança depende de seus pais para tudo; mas quando cresce possui em si mesma tal poder e sabedoria que procura a independência em vez da dependência. Nosso Deus deseja que tenhamos com ele um relacionamento permanente como crianças para que possamos continuamente confiar Nele.
Você acha que agora tem poder? Que já foi santificado? Que já foi enchido permanentemente com o Espírito Santo? Que suas obras já produziram frutos? Se assim for, essa maneira de pensar priva-lo-á de um coração dependente. É preciso que você mantenha a atitude e a postura de desamparo perante os homens a fim de fazer real progresso no caminho de Deus. Se permitir que o ego penetre sutilmente de modo que você considere a si mesmo com tendo tudo, deve compreender que não mais estará dependendo de Deus.
Eu, que agora falo com você, não tenho certeza alguma quanto a meu futuro. Não sei se ainda estarei pregando o evangelho no ano que vem. A menos que Deus me conservar até o ano que vem, pode ser que eu não possa servir; deveras, posso até mesmo nem seguir a Cristo. Digo isto com um coração angustiado, pois sei que não tenho meios de conservar a mim mesmo. Se Deus não me conservar, confesso não ser por mim mesmo capaz de estar em pé no lugar humilde de hoje. Lembro-me de como estive a ponto de separar-me de Cristo muitas vezes desde o dia em que me tornei crente, mas louvo a Deus por ter-me conservado.
Permita-me dizer-lhe que, a não ser mediante o depender de Deus e confiar nele momento a momento, não conheço outra maneira de viver uma vida santificada. Se não dependermos do Senhor não podemos saber quanto tempo podemos viver como crentes por um único dia.
Será que realmente percebemos isto? Ou será que ainda temos um pequeno poder com o qual sustentar a nós mesmos e ter sucesso em muitas coisas? Seja manifesto a todos que a autoconfiança é o inimigo da dependência de Deus. Deus deve levar-nos até nosso fim para que saibamos não existir bem algum em nós.
Não fosse por sua graça, teríamos derrotas de todos os lados. Devemos chegar ao ponto que percebamos ser absolutamente indignos e não ter força alguma. Não ousamos ser autoconfiantes, nem ousamos tomar qualquer ação independente, fora de Deus. Devemos continuar prostrados perante Ele com temor e tremor, buscando Sua graça. De outra forma, nossa natureza fará com que nos consideremos competentes, tendo prazer em nossa próprias atividades e recusando-nos a depender de Deus.
Ao olhar para os anos passados posso ver que muitos irmãos a quem conheci se desviaram. Ainda me lembro do que certo irmão me disse um dia: ” senhor, agora conhecemos as Escrituras que o senhor prega; temos feito grande progresso e não estamos muito distantes de seus obreiros.”. Que autoconfiança! Mas onde estão esses irmãos hoje? Também lembro de outro irmão dizer-me recentemente: “Irmão Nee, pode ser que eu não conheça muita coisa, mas pelo menos conheço os ensinamentos bíblicos…” ao ouvir isto, imediatamente percebi que este irmão corria sério perigo. Hoje, ele também se desviou do caminho estreito. São muitas as tragédias similares que podemos recordar durante nossa vida. A causa principal de tais tragédias é a autoconfiança. A autoconfiança é a causadora de todas as derrotas.
O que Deus deseja que saibamos hoje é que não podemos depender absolutamente de nosso ego. Deseja que confessemos nossa fraqueza e inutilidade em todo o tempo. Deseja que tenhamos consciência do que nunca tivemos antes – isto é, deseja que estejamos cônscios de nossa total insuficiência e que admitamos que se não fosse por seu poder conservador, não podíamos permanecer nem um momento, e que se não fosse por sua fortaleza, nada podíamos fazer. Possamos nós ser quebrantados pelo Senhor hoje, para que não ousemos tomar nenhuma ação independente ou abrigar nenhuma atitude fora Dele. Doutra forma, o fim inevitável será a vaidade e a derrota.
Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

Watchman Nee (Extraído do Livro “O Mensageiro da Cruz” – 1926)

O VENTO EM NOSSO ROSTO - A. W. TOZER

“Deus vos chamou para o lado de Cristo”, escreveu o piedoso Rutherford, “e agora o vento está dando no rosto de Cristo nesta terra; e vendo que estais com Ele, não podeis esperar abrigo a sotavento ou do lado ensolarado da escarpa”.

Com a bela sensibilidade para as palavras que caracterizava a mais casual declaração de Samuel Rutherford, ele aqui cristaliza para nós um dos grandiosos fatos radicais da vida cristã. O vento está soprando no rosto de Cristo e, porque O acompanhamos, também temos o vento em nosso rosto. Não devemos esperar menos.

O anseio pelo abrigo ensolarado é deveras natural, e, para as criaturas sensíveis que somos, é inteiramente desculpável, suponho eu. Ninguém gosta de andar no vento frio. Contudo, a igreja vem tendo de marchar com o vento dando em seu rosto através dos séculos.

Em nossa avidez por conseguir conversos, temo que ultimamente pese sobre nós a culpa de usar a técnica do vendedor moderno, que geralmente apresenta só as qualidades desejáveis de um produto e ignora o restante. Vamos às pessoas e lhes oferecemos um lar confortável no lado ensolarado da escarpa. Se tão-somente aceitarem a Cristo, Ele lhes dará paz mental, solucionará os seus problemas e seus negócios, protegerá as suas famílias e as manterá felizes o tempo todo. Elas acreditam em nós e vêm, e o primeiro vento frio as envia arrepiadas a algum conselheiro para ver o que está errado; e essa é a última notícia que temos de muitas delas.

Os ensinamentos de Cristo revelam que Ele é realista no melhor sentido da palavra. Em parte nenhuma dos evangelhos encontramos algo que seja visionário ou exageradamente otimista. Ele dizia toda a verdade aos Seus ouvintes e deixava que eles formassem a sua opinião. Ele podia entristecer-se coma retirada de um interessado que não podia enfrentar a verdade; nunca, porém corria atrás dele para tentar ganhá-lo mediante róseas promessas. Ele queria que O seguissem sabendo o preço, ou, se não, deixava que seguissem os seus próprios caminhos.

Isto é simplesmente dizer que Cristo é honesto. Podemos confiar nEle. Ele sabe que nunca será popular entre os filhos de Adão e sabe que os Seus seguidores não precisam esperar popularidade. O vento que sopra em Seu rosto será sentido por todos quantos viajam com Ele e nós não somos intelectualmente honestos quando procuramos ocultar-lhes esse fato.

Oferecendo aos nossos ouvintes um evangelho doce e leve, e prometendo a todo aquele que o recebe um lugar na encosta ensolarada da colina, não apenas os enganamos cruelmente, mas também garantimos alto índice de acidentes entre os conversos obtidos mediante essas condições. Em certos campos estrangeiros foi cunhada a expressão "cristãos com arroz" para descrever os que adotam o cristianismo por algum lucro. O missionário experimentado sabe que o converso (religioso leigo) que tem de pagar algum preço por sua fé em Cristo é que perseverará até o fim. Ele começa já com o vento a soprar-lhes no rosto, e se a tempestade ficar mais forte, ele não retrocederá, porquanto foi preparado para suportá-la.

Abaixando o preço do discipulado, estamos produzindo cristãos do arroz às dezenas de milhares, precisamente aqui, no continente americano. Os que lembram dos tempos passados, lembrar-se-ão da explosão do comércio de terras na Flórida há alguns anos, quando alguns inescrupulosos corretores de imóveis ficaram ricos vendendo grandes extensões de pântanos cheios de jacarés a preços fantásticos a nortistas ingênuos. Agora mesmo há uma explosão no setor dos bens religiosos, na encosta ensolarada da colina. Milhares estão investindo e uns poucos empresários estão ficando ricos; mas quando o público descobrir o que comprou, alguns desses empresários terão de abandonar o negócio. E isso pode não acontecer tão cedo.

O que terá Cristo para oferecer-nos, que seja seguro, genuíno e desejável? Ele oferece perdão dos pecados, purificação interior, paz com Deus, a vida eterna, o dom do Espírito Santo, vitória sobre a tentação, a ressurreição dos mortos, um corpo glorificado, a imortalidade e um lugar de moradia na casa do Senhor para sempre. Estes são alguns dos benefícios que nos vêm como resultado da fé em Cristo e da entrega total a Ele. Acrescentamos a estes as maravilhas ascensionais e as crescentes glórias que virão a ser nossas através das imensas extensões da eternidade, e teremos uma imperfeita idéia do que Paulo denominou "insondáveis riquezas de Cristo" ( Ef, 3:8).

Aceitar o chamamento de Cristo muda de fato o pecador que a Ele se entrega, mas não muda o mundo. O vento continua soprando em direção ao inferno, e o homem que caminhar na direção oposta terá o vento batendo no rosto. E é melhor levarmos isto em conta quando ponderarmos as realidades espirituais. Se as insondáveis riquezas não merecem que por elas soframos, é bom saber disso agora e parar de brincar de religião.

Quando o rico e jovem governante soube do preço do discipulado, retirou-se triste. Não pôde renunciar à encosta ensolarada da colina. Mas, graças sejam dadas a Deus, em cada época existem alguns que se negam a retroceder. O Livro de Atos dos Apóstolos é a história de homens e mulheres que expunham o rosto ao rijo vento da perseguição e do prejuízo, e seguiam o Cordeiro aonde quer que Ele fosse. Sabiam que o mundo odiou a Cristo sem motivo, e os odiava por causa dEle; mas pela glória que lhes foi proposta, continuaram resolutos pelo caminho.

Talvez se possa reduzir a coisa toda a uma simples questão de fé e incredulidade. A fé vê de longe a vitória de Cristo e se dispõe a suportar toda e qualquer dificuldade para participar dela. A incredulidade não está segura de coisa alguma, exceto que odeia o vento e aprecia a encosta ensolarada da colina. Cada pessoa terá de decidir-se sozinha, se poderá arcar ou não com o terrível fausto da incredulidade.

O NOVO NASCIMENTO

   O novo nascimento é o primeiro estágio da vida cristã. Como disse Jesus, é necessário um pecador ser regenerado ou nascido de novo para ver e entrar no Reino de Deus: “Disse Jesus: Se alguém não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. Se alguém não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” João 3.3, 5. Nascer de novo não é batismo nas águas, ou sair por milagre de algum perigo de morte, mas ser feito por Deus uma nova criatura em Cristo Jesus: " Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura" Gálatas 6.15. Tudo começa pelo nascimento, assim também a vida espiritual começa pelo novo nascimento. Todo homem nasce numa geração corrupta e perversa e não há como melhorar essa raça, só criando novamente: " Ninguém cose remendo de pano novo em vestido velho; do contrário o remendo novo tira parte do velho, e torna-se maior a rotura" Marcos 2.21..
O novo nascimento também não é uma obra que o homem pode produzir. Como no nascimento natural nada fizemos para nascer, mas foi uma vontade de nossos pais, no novo nascimento não podemos fazer nada, pois ela foi uma obra exclusiva da vontade soberana de Deus: "Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da decisão humana (versão internacional), mas da vontade de Deus" João 1.13. "Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas" Tiago 1.18.
Muitos esperam que Deus faça neles esse novo nascimento, mas o novo nascimento não é algo que Deus irá fazer agora, Ele já realizou esta obra em Cristo. O novo nascimento é realizado pelo Espírito e pela Palavra de Deus mediante a fé na obra realizada por Cristo na cruz. Ninguém pode nascer, sem primeiro morrer: “Insensato! o que tu semeias não nasce, se primeiro não morrer” I Coríntios 15.36. Na Sua morte morremos juntamente com Ele e na Sua ressurreição, Deus nos fez nascer de novo para uma viva esperança: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos (fez nascer de novo) regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” I Pedro 1.3.
Vamos ver verso a verso o que Jesus fala do novo nascimento na passagem de João 3 do verso 3 ao verso 15 a Nicodemus: “Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode ser isto? Respondeu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testemunhamos o que temos visto; e não aceitais o nosso testemunho! Se vos falei de coisas terrestres, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem. E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna”.
Devemos entender que Jesus quando fala a Nicodemus, Ele fala antes de sua morte e ressurreição, por isso, a Nicodemus ele lhe fala de algo que ainda iria acontecer, mas a nós, Deus nos revela algo consumado. Jesus no verso 14 não nos deixa duvidas quando diz aonde iria realizar o nosso novo nascimento, quando ele fosse levantado da terra: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer” João 12.32-33.
Jesus no verso 3 estava não cobrando de nós algo que fosse necessário nós fazermos, mas de algo que Ele iria realizar. Quando Ele diz: “Se alguém não nascer de novo”, não está dizendo que isto é uma obra humana, algo que o homem deva fazer para ver o Reino de Deus, mas uma obra que se Ele não realiza-se, ninguém poderia ver o Reino de Deus: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” João 12.24. Jesus sabia que se Ele não morresse, ficaria só, mas se morresse, muitos iriam nascer dEle. Ele era só, o Filho unigênito. Na sua morte o Filho unigênito morreu, Deus ficou sem nenhum filho por três dias, mas na ressurreição de Jesus, Deus declarou Jesus filho de Deus em poder (Romanos 1.4), e o gerou de novo como o Filho primogênito, agora não só, mas com muitos irmãos (Romanos 8.30-31). Jesus tinha que se entregar para ser sacrificado para levar muitos filhos à glória: “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e por meio de quem tudo existe, em trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelos sofrimentos o autor da salvação deles” Hebreus 2.10.
No verso 4 de João 3, Nicodemus não podia entender esse nascimento espiritual, tanto é assim que ele só via uma possibilidade, voltar ao ventre materno e nascer de novo, mas Jesus lhe disse no verso 6, que se seu nascimento fosse novamente na carne, não mudaria nada, ele continuaria sendo carne, ele continuaria trazendo a imagem do que é terreno, mas o que nasce do Espírito é espiritual, uma nova criatura, nascido não da carne, mas do alto, de Deus, de um mundo celestial, à imagem do celestial: “Assim também está escrito: O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, sendo da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Qual o terreno, tais também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial” I Coríntios 15.45-49. Não é possível nascer primeiro espiritual, mas sim natural, depois espiritual, e assim foi. Nascemos primeiramente em Adão e trouxemos a sua natureza, mas morremos no último Adão, Cristo. Agora nascemos de novo no espiritual e trazemos neste novo nascimento a sua vida, a sua natureza divina.
No verso 8 Jesus ensina que o novo nascimento na sua morte e ressurreição iria se consumar, mas o nascimento da Palavra e do Espírito não pode ser explicado, não pode ser ensinado, não há métodos para se chegar a ele, porque é um mistério de Deus. O novo nascimento é o mistério inexplicável de Cristo em nós, e que nos traz por Ele, uma esperança da glória (Colossenses 1.26-27): “Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente a terra, e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como” Marcos 4.26-27. Quem abre a madre de nossa mãe, a Jerusalém que é de cima, e que gera filhos da promessa é Deus. Ele é o único que pode fazer nascer (Isaías 66.9, Gálatas 4.25). Esse nascimento do Espírito é para os herdeiros da promessa, os filhos de Deus: “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência” Romanos 9.8. “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus” Gálatas 4.6-7. Podemos saber do nosso novo nascimento em Cristo, mas a letra mata é o Espírito que vivifica (II Coríntios 3.6. Se não houver o nascimento pela Palavra e pelo Espírito ninguém pode entrar no Reino de Deus. O Reino de Deus é Cristo em nós. Cristo em nós é a nova vida.
O novo nascimento nos faz ver o Reino de Deus que é a própria pessoa de Jesus Cristo em nós: “Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós” Lucas 17.20-21. É somente através dEle que podemos entrar no seu Reino. Este Reino como pudemos ver em Lucas 17.21, não é um lugar, mas o próprio Jesus, e quem está em Cristo é uma nova criatura, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se faz novo (II Cor 5.17). O novo nascimento é realizado em nós como Jesus explica, pela água que é o símbolo da Palavra, e pelo Espírito que é o agente do novo nascimento. Tudo foi criado pela Palavra de Deus (Hebreus 11.3), também o novo nascido é gerado pela Palavra de Deus: "tendo renascido não de semente corruptível (sêmen do homem), mas de incorruptível (sêmen de Deus), pela Palavra de Deus, que é viva e que permanece para sempre" I Pedro 1.23. “Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” Tiago 1.18. Uma vez lançada a Palavra de Deus, ela é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, penetra até a divisão de alma e de espírito, sendo apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração (Hebreus 4.12). É aqui que o Espírito entra agindo sobre a Palavra de Deus, efetuando o que apraz a Deus, e efetuando cheiro de morte para morte, ou cheiro de vida para vida (II Cor 2.16) e para essas coisas ninguém é idôneo. Isto confirma o que disse Jesus em João 6.63: "O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita (não há nada no homem carnal que possa ser usado no seu novo nascimento, nem mesmo a sua vontade, pois a sua vontade está ligada a sua natureza perversa); as palavras que eu vos tenho dito são Espírito e são vida".
No verso 9 Nicodemus, um homem instruído na lei, que sempre ouviu em sua religião que o homem tem que fazer alguma coisa para ser salvo, perguntou novamente o que ele poderia fazer para nascer de novo. Então Jesus lhe ensina sobre o novo nascimento nos versos 14 e 15, por uma passagem que ele conhecia muito bem, o de Números 21.4-9, sobre as serpentes abrasadoras. O povo naquela ocasião murmurou contra Deus e Ele enviou serpentes abrasadoras que morderam o povo e foram envenenados. O povo se arrependeu e pediu a Moisés que intercedesse por eles. Moisés foi e orou a Deus, e Ele mandou fazer uma serpente de bronze e coloca-la numa haste para que todo aquele que olhasse para a serpente de bronze vivesse. Moisés fez a serpente e levantou-a numa haste e todo aquele que olhou para a serpente viveu. Jesus estava comparando ele com a serpente de bronze. Ele seria levantado da terra e Ele foi colocado por Deus naquela cruz para que todo aquele que olhar para Ele viva.
O povo judeu tinha o veneno da serpente neles, e o homem também: “quem comete pecado é do Diabo; porque o Diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” I João 3.8, mas Deus proveu para eles uma serpente de bronze levantada numa haste, e para nós Deus proveu o Seu Filho Jesus levantado-o da terra naquela cruz. Em Cristo crucificado vemos a nossa morte, a morte do pecador, e tragada foi a morte na vitória porque Jesus ressuscitou. Ele ficou livre dos aguilhões da morte e nos libertou também. Nascemos de novo pela sua ressurreição para a vida eterna.
O novo nascimento se dá em três fases como diz Deus: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador. Eu anunciei, e eu salvei, e eu o mostrei; e deus estranho não houve entre vós; portanto vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor” Isaías 43.11-12. A primeira fase do novo nascimento foi quando Deus anunciou esta salvação, tanto é assim, que os fiéis que creram antes da vinda de Jesus, criam no seu novo nascimento na promessa de Deus em Cristo: “Todos estes morreram na fé, sem terem alcançado as promessas; mas tendo-as visto e saudado, de longe, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” Hebreus 11.13. Deus tinha anunciado essa salvação. Jesus era a promessa de Deus aos homens e esta promessa se fez carne: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” João 1.14.
A segunda fase se deu na vinda de Jesus, pois Deus disse: “Eu salvei”. Ele realizou essa salvação, esse novo nascimento erguendo Jesus da terra naquela cruz. Jesus nos atraiu a si nos fazendo morrer com Ele e Deus nos fez nascer de novo para uma viva esperança pela ressurreição de Jesus dentre os mortos (I Pedro 1.3). A terceira fase é: “eu os fiz ouvir”. Deus agora nos gera de novo pela água e pelo Espírito como disse Jesus em João 3.5. Hoje, como Deus nos diz, é o dia da salvação: “E nós, cooperando com ele, também vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão; porque diz: No tempo aceitável te escutei e no dia da salvação te socorri; eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” II Coríntios 6.1-2. Hoje Ele nos faz ouvir a Sua Palavra, a água purificadora e nos vivifica pelo seu Espírito: “Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador” Tito 3.4-6. “Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias, e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis” Ezequiel 36.25-27.
Deus anunciou esta salvação, Ele realizou-a e agora Ele nos faz ouvir que nascemos de novo em Jesus Cristo pela Sua Palavra: “Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” Tiago 1.17. “tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece” I Pedro 1.23. “Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo” Romanos 10.17, e quem vivifica esta Palavra é o Espírito: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” João 6.63.
Uma vez que Deus faz ouvir a sua salvação, Ele a torna vida em nós pelo seu Espírito: “O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida... Porque esta palavra não vos é vã, mas é a vossa vida” Deuteronômio 30.19-20; 32.47. A Palavra sem o Espírito mata, mas o ministério do Espírito pela Palavra é a regeneração de pecadores: “o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica... Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo, como não será de maior glória o ministério do espírito?” II Coríntios 3.6-8. “Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” João 1.12-13.
Deus compara a pregação sem a vivificação do Espírito como um vale de ossos secos em Ezequiel 37. "Veio sobre mim a mão do Senhor; e ele me levou no Espírito do Senhor, e me pôs no meio do vale que estava cheio de ossos; e me fez andar ao redor deles. E eis que eram muito numerosos sobre a face do vale; e eis que estavam sequíssimos. Ele me perguntou: Filho do homem, poderão viver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que vou fazer entrar em vós o espírito da vida, e vivereis. E porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vos estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis. Então sabereis que eu sou o Senhor. Profetizei, pois, como se me deu ordem. Ora enquanto eu profetizava, houve um ruído; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. Então ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. Profetizei, pois, como ele me ordenara; então o espírito entrou neles e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo” Ezequiel 37.1-10.
O novo nascimento é uma mudança radical, realizada pelo Espírito de Deus no interior de um pecador, retirando o homem velho, a natureza pecaminosa, o coração de pedra, e gerando Cristo em seu interior, com uma natureza divina, santa, e irrepreensível. Todas estas promessas estão na Palavra de Deus, e é por elas e pelo Espírito que nos tornamos co-participante desta natureza divina em Cristo Jesus: "pelas quais Ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, que pela concupiscência há no mundo" II Pedro 1.3.
O nascimento do Espírito nos livra da escravidão do pecado, para a glória dos filhos de Deus em santidade: “Aquele que é nascido de Deus não peca; porque a divina semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus” I João 3.9. Tudo o que se conhece de novo nascimento e que exclui uma vida de santidade pela Pessoa de Cristo no interior do homem é falso. Um exemplo: Se novo nascimento fosse batismo nas águas, Jesus não precisava vir a este mundo e sofrer a pena do pecador, pois, era só batizar as pessoas de todo mundo nas águas e elas seriam salvas. Novo nascimento é o Espírito gerando em nós a divina semente, a Palavra viva, Cristo: “Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” Gálatas 2.19-20.
Temos encontrado muitas pessoas enganadas com seu novo nascimento, achando que participar de uma igreja, ser batizada, ter algum cargo é o suficiente. Alguns até conhecem a letra da Palavra da cruz, mas como Jesus disse, é necessário nascer da água e do Espírito. Novo nascimento não é concordância com a doutrina, mas uma experiência real com a Pessoa de Jesus: "não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim" Gálatas 2.20. Novo nascimento é a mudança de uma vida escrava do pecado, de imagem e semelhança maligna, para uma vida espiritual e santa, isenta do domínio e do amor ao pecado, e que produz frutos pacíficos de justiça, operados pelo amor de Deus e à santidade procedentes da verdade por Jesus Cristo, executado pelo Espírito de Deus. Sem a presença de Cristo, ninguém é nascido do Espírito: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” Romanos 8.9. “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” II Coríntios 13.5. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” I João 5.11-12.
Novo nascimento é uma obra totalmente de Deus. O homem não tem participação nesse novo nascimento. Deus é quem anunciou, Ele é quem salvou e é Ele quem nos faz ouvir, fora dEle não há salvação: “O ouvido que ouve, e o olho que vê, o Senhor os fez a ambos” Provérbios 20.12. “Fui achado pelos que não me buscavam, manifestei-me aos que por mim não perguntavam” Romanos 10.20. A palavra "transformar" de II Coríntios 3.18, vem do verbo grego "METAMORFÓS". "META" significa mudança, e "MORFÓS" forma interior ou de moral. O verbo está no indicativo e na voz passiva, isto é, o homem não pode efetuar esta mudança, pois, esta mudança, não se refere a uma mudança de estética, mas de conteúdo e de moral. Em suma, se alguém verdadeiramente nasceu de novo, este novo nascimento se deu pela santificação do Espírito e fé na verdade: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” II Coríntios 3.18. “Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade” II Tessalonicenses 2.13.
Como vimos, o novo nascimento é uma obra de Deus executada pela Sua Palavra e pelo Seu Espírito: "Ora, Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos, mas agora manifesto e, por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé" Romanos 16.25-26, e aqueles que crêem nela, embora tenham sidos servos do pecado por toda a vida, obedecem de coração à forma de doutrina a que são entregues (Romanos 6.17). A regeneração não vem pelo conhecimento da doutrina do novo nascimento, e nem é algo que leva tempo para acontecer. Hoje é o dia como Deus disse. O exemplo disso é a serpente levantada no deserto. Todo aquele que olhava para a serpente ficava curado imediatamente, em Jesus Cristo é assim também. Todo aquele que olhar para Ele verá o seu novo nascimento consumado: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” Isaías 45.22.
O que Deus nos faz conhecer em primeiro lugar, é que não há novo nascimento sem morte, e não pode haver morte sem a Pessoa de Jesus. A maior dificuldade que temos encontrado nas pessoas, é que elas olham para o seu novo nascimento agora. Esperam e até oram que Deus os façam nascer de novo, sendo que ele já aconteceu a quase 2.000 anos atrás, até mesmo antes da fundação do mundo pela promessa de Deus. Já morremos e ressuscitamos em Jesus Cristo. A obra não irá acontecer, ela já aconteceu, está no passado, e é assim que a Palavra de Deus nos apresenta: "sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de que não servíssemos ao pecado como escravos" Romanos 6.6. "Assim também vós meus irmãos, fostes mortos para à lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos frutos para Deus" Romanos 7.4. "porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" Colossenses 3.3. "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte?" Romanos 6.3. Esta morte já se deu quando Jesus morreu naquela cruz. Deus não tem obra nenhuma para fazer em nós, tudo o que Ele nos deu está em Cristo, está consumado.
É maravilhoso que este Deus misericordioso já tenha feito esta obra por nós. É pela graça que somos salvos, por meio da fé, e isto não vem de nós, é dom de Deus; não vem de obras humanas para que ninguém se glorie (Efésios 2.8-9). Jesus disse: "Tudo está consumado" (João 19.30). Sabe o que isto significa, que não há mais nada a ser feito, tudo está feito, tudo está pronto, é só crer. Até mesmo a fé nos é dada por Deus, devemos apenas fazer como aquele pai do menino epiléptico: "Creio! Ajuda a minha incredulidade" Marcos 9.24. Quem nEle crer não será confundido (Romanos 10.11).
Agora esta Palavra de Deus vez nos lavar de toda a nossa iniqüidade, e o Espírito vem nos gerar em uma nova criatura, a imagem de Jesus, com a Sua presença em nós: “Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou” Romanos 8.26-30. “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” II Coríntios 5.17.
A nova criatura é feitura de Jesus, criado em Cristo Jesus para as boas obras, e não mais a feitura de Adão: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas” Efésios 2.10. A característica principal de uma nova criatura, daquele que nasceu da água e do Espírito é a libertação do pecado. Quem continua no pecado, nunca viu nem conheceu Jesus Cristo (I João 3.6). O novo nascimento restitui ao homem a glória de Deus perdida com o pecado: “Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte” II Coríntios 4.6-7.
O novo nascimento é a entrada para a vida espiritual e no Reino de Deus. Ele é o início de tudo. Sem este novo nascimento ninguém pode ver o Reino de Deus e sem o nascimento no Espírito não pode entrar nesse Reino. Ele é o primeiro estágio da vida cristã, depois vem o crescimento. Lembremos da parábola da semente em Marcos 4.26-29. Primeiro foi o plantio da semente, da Palavra, depois o nascimento, depois o crescimento e por ultimo o fruto cheio de grãos, porque sem nascer ninguém pode crescer. A entrada no Reino Celestial de Jesus, como vimos anteriormente, não pode ser alcançada por força humana, mas somente pelo poder de Deus, bem como o crescimento espiritual. O novo nascimento é um ato e o crescimento é um processo de Deus até o seu complemento: "Até que todos cheguemos a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo" Efésios 4.13. “tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus” Filipenses 1.6. “E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, e ele também o fará” I Tessalonicenses 5.23-24.
Edward Burke Junior

O Legado do Pastor Antonio Abuchaim

por Julio Cesar Lucarevski

Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência. Jeremias 3.15.
Os nossos dias são marcados pela diluição do Evangelho e pela deficiência na evangelização. As causas são muitas, entre elas estão: 1) a predominância de teologias centradas no homem; 2) o uso de métodos e estratégias para promover conversões e avivamentos; 3) a rejeição do conceito de verdade objetiva dos textos sagrados e; 4) a proliferação de um evangelho, voltado apenas às necessidades humanas mais imediatas...
                                                                  

Baixe as mensagens deixada pelo Pr. Abuchaim.

0001 - Avivamento - Antonio Abuchaim

0002 - Exaltação de Cristo - Antonio Abuchaim

0003 - A Pessoa de Cristo em Nós - Antonio Abuchaim

0014 - A Tríplice Justificação - Antonio Abuchaim

0023 - A Vida Que Nasce da Morte - Antonio Abuchaim

0030 - As Doutinas Básicas - Antonio Abuchaim

0031 - A Necessidade do Novo Nascimento - Antonio Abuchaim

0043 - A Perseverança dos Santos - Antonio Abuchaim

0044 - O Sacrifício de Jesus - Antonio Abuchaim

0047 - Será a Bíblia a Verdade (interrogando) - Antonio Abuchaim

0048 - A Misericórdia de Deus - Antonio Abuchaim

0050 - As Vestes da Santidade - Antonio Abuchaim

0062 - Nos Ressuscitou - Antonio Abuchaim

0067 - Santidade Atribuída - Antonio Abuchaim

0070 - Lei de Cristo _ O Amor - Antonio Abuchaim

0077 - Para que Morrer (interrogando) - Antonio Abuchaim

0080 - Igreja, O Corpo de Cristo - Antonio Abuchaim

0094 - O Pecado Não é Brincadeira - Antonio Abuchaim

0095 - Salvador Poderoso - Antonio Abuchaim

0096 - A Regeneração do Rei Davi - Antonio Abuchaim

0100 - Ministro, Salva-te a Ti Mesmo! - Antonio Abuchaim

0113 - Salvação e Santidade - Antonio Abuchaim

0120 - Aceitos em Cristo - Antonio Abuchaim

0139 - Deus Pune o Pecador (interrogando) - Antonio Abuchaim

0140 - Cristo Nossa Vida - Antonio Abuchaim

0145 - Ressurreição com Poder - Antonio Abuchaim

0155 - Conversão Total - Antonio Abuchaim

0158 - Vida Abundante - Antonio Abuchaim

0159 - O Primeiro Carnaval - Antonio Abuchaim

0163 - Salvos Para Testemunhar - Antonio Abuchaim

0164 - Alma Vazia - Antonio Abuchaim

0166 - O Renascido e a Eleição - Antonio Abuchaim

0167 - A Regeneração de Jacó - Antonio Abuchaim

0177 - Salvos Pela Sua Vida - Antonio Abuchaim

0182 - Testemunhas de Fato - Antonio Abuchaim

0183 - Vida Eterna Por Cristo - Antonio Abuchaim

0195 - Arrependimento - Antonio Abuchaim

0196 - Conversão - Antonio Abuchaim

0197 - Importa-vos Nascer de Novo - Antonio Abuchaim

0198 - Vida Através da Morte - Antonio Abuchaim

0199 - Herança de Vida - Antonio Abuchaim

0200 - Vida Eterna Só em Cristo - Antonio Abuchaim

0205 - És Filho ou Bastardo (interrogando) - Antonio Abuchaim

0208 - Palavra Conforme a Doutrina - Antonio Abuchaim

0209 - Graça Pela Fé - Antonio Abuchaim

0213 - À Direita ou À Esquerda do Juiz - Antonio Abuchaim

0220 - Santos em Cristo - Antonio Abuchaim

0226 - Milagre do Novo Nascimento - Antonio Abuchaim

0227 - Tríplice Natureza - Antonio Abuchaim

0228 - Renovação do Regenerado - Antonio Abuchaim

0229 - Os Dois Reinos - Antonio Abuchaim

0234 - Mortos Para a Lei, Somos de Cristo - Antonio Abuchaim

0250 - Obediência à Verdade - Antonio Abuchaim

0253 - Arrependei-vos - Antonio Abuchaim

0263 - Frutos - Antonio Abuchaim

0264 - Cristo Nosso Escudo - Antonio Abuchaim

0265 - Muitos Frutos - Antonio Abuchaim

0266 - Religião Não Basta - Antonio Abuchaim

0280 - Parábola das Bodas - Antonio Abuchaim

0306 - Última Mensagem - Antonio Abuchaim